Botswana, Foto T.Abritta, 2008

domingo, 3 de maio de 2020

De quem é o sutiã?




          Este filme narra a última viagem de um solitário maquinista antes de se aposentar.  Mas, esta foi uma aventura inusitada, descrevendo sua odisseia para encontrar a dona de um sutiã que ficou preso no trem após passar por estreita passagem dentro de um povoado no leste europeu, onde os trilhos eram usados como caminho, área de laser, local para secar roupas e por aí vamos.
          Podemos dizer que o filme é a versão moderna do sapatinho da Cinderela que era experimentado por várias mulheres.
          Uma originalidade deste filme é a ausência total de diálogos, com os personagens se comunicando com pequenos gestos ou expressões faciais.  Outro ponto marcante são as maravilhosas paisagens do Azerbaijão e as imagens das pequenas vilas no topo das montanhas. 
          Obs. O filme pode ser visto no “Now”.

          Este filme, com o trem passando rente às casas da vila, me fez lembrar um fato narrado pelo gerente de uma distribuidora de açúcar, que ficava em um galpão na Ponta do Caju, no Rio de Janeiro: os sacos de açúcar chegavam de trem e depois de descarregados ficavam estocados no galpão ou eram transferidos diretamente para os caminhões que fariam a distribuição pelos mercados.
Mas, tinha um problema, pois os trilhos ficavam quase que cobertos pelas construções de diversas favelas.  O trem vinha apitando, pessoas tirando cadeiras dos trilhos, outros fechando janelas e portas. 
          Como não havia recolhimento de lixo nas favelas, os moradores atiravam tudo sobre o trem, que chegava soterrado por uma montanha de lixo.  A distribuidora tinha que contratar garis e caminhões para desenterrar os vagões e depois retirar a lona que cobria os sacos de açúcar. 


          Soluções para a desídia do poder público!

domingo, 19 de abril de 2020

Solitude



 A década de 70 foi uma época de grande repressão e violência política. Alguns jovens tentavam procurar caminhos olhando para as filosofias orientais, indianas e dos misteriosos povos do Himalaia. Livros como Sidarta, de Hermann Hesse e O Fio da Navalha, de Somerset Maugham, faziam muito sucesso. O primeiro descreve, em forma de romance, a vida de Sidarta que no fundo era a vida do próprio autor, em sua busca de credos mais autênticos que o levaram a uma peregrinação pela Índia. O segundo romance descreve a odisseia espiritual do jovem Larry, buscando um sentido para a vida e para a morte, após os horrores da Segunda Guerra Mundial.
Outros jovens encontravam uma saída para as suas buscas existenciais não no autêntico Budismo Indiano e sim no Zen Budismo Japonês, que fez um grande sucesso no Ocidente com o livro Introdução ao Zen-Budismo, de D.T.Suzuki, lançado em várias línguas com prefácio de C.G.Jung. Este livro era um prato feito para aqueles que procuravam fugir da lógica do nosso cotidiano, começando pela definição destas ideias: "O Zen nunca explica. Somente nos oferece sugestões. Tentar explicá-lo é como tentar prender o vento em uma caixa. No momento em que se feche a tampa, perde-se o vento e obtém-se o ar estagnado..." Assim como hoje os jovens compram caríssimos telefones celulares, naqueles tempos impressionavam-se apenas com algumas citações Zen Budistas, como: "O caminho do meio está onde não há nem meio nem dois lados. Quando estais escravizados ao mundo objetivo, tendes um dos lados, quando estais com a mente perturbada, tendes o outro. Quando nenhum desses lados existe, não há a parte do meio, e, portanto, aí estará o verdadeiro caminho.
Todos diziam genial, genial e seguiam contentes, embalados pela belíssima música de Ravi Shankar e o som das cordas de sua sitar...


Foto "Solitude". T.Abritta, Tibet (2007).


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Um pôr do sol sépia



Boa noite para todos, com um pôr do sol no Parque Nacional de Samburo, norte do Quênia.
Notem que o tom sépia da imagem foi devido à saturação das cores do filme fotográfico com a intensidade luminosa, pois a foto foi feita à contra luz.


Foto T.Abritta, janeiro de 2001.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Amanhecendo no Parque Nacional de Samburo



          Antes de descer os degraus, prestar atenção se não tem nenhum crocodilo por perto, pois a barraca fica a uns cinco metros de um rio.  Ah, não esquecer de fechar a barraca para evitar que os macacos levem tudo.
          Esta primeira noite foi meio assustadora, pois um leão subiu em uma árvore do outro lado do rio, os bugios protestavam fazendo uma algazarra inimaginável e os crocodilos, assustados, mergulhavam nas águas fazendo um barulhão.  Abri a cortina, mais dava medo por não saber o que estava ocorrendo na escuridão total.  E nós naquela barraca de lona...

Parque Nacional de Samburo, janeiro de 2001

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

O Fotógrafo e seus Modelos



          Esta foi a minha primeira visita à África Negra – já havia visitado o Egito e Marrocos. 
          Agora visitaria a África do Sul, Quênia, Tanzânia, Zimbábue e Zâmbia. 
          Eu estava muito doente, sendo diagnosticado dias antes da viagem que sofria de uma doença autoimune (polimiosite) que enfraquecia os músculos.  Assim, tomando sessenta miligramas de cortisona por dia e muitos anti-inflamatórios, parti para o que poderia nunca mais voltar. 
          Mas, entre pioras e melhoras, sobrevivi e tive muitas alegrias como fotografar estas simpáticas jovens Samburos no Quênia. 
          Os Samburos são nômades e vivem da criação de gado. 
          Suas mulheres vestem-se com grande sofisticação, mesmo no trabalho e nas tarefas de seu cotidiano. 
          

Foto janeiro de 2001



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Aconcágua



O Aconcágua é a maia alta montanha da América do Sul, situada na Cordilheira dos Andes, em Mendoza, Argentina, próximo da fronteira com o Chile.  O pico desta montanha está a uma altura de 6962 m. 
          Normalmente os cumes de montanhas muito elevadas são cobertos por neves eternas, mesmo no verão, não dependendo da latitude, como o Kilimanjaro no Quênia.
          A foto abaixo, tirada há uns dez anos, durante uma viagem para Santiago, quando o avião parece tocar esta montanha, mostra um Aconcágua praticamente sem neve, apresentando vários pontos da rocha negra. 
          Como a neve reflete radiação solar enquanto as rochas escuras absorvem, este processo é acelerado ano a ano, podendo ainda ser favorecido pela poluição atmosférica. 
          Esta consequência do aquecimento global pode ser atenuada pela ação humana, evitando as queimadas em vários pontos de nosso país.


Aconcágua





segunda-feira, 11 de março de 2019

Fotografando Rinocerontes



          Estávamos observando este rinoceronte a uma distância de uns trinta metros, mas estes animais são muito territoriais e logo partiu para o ataque.  Foi tudo muito rápido.  Fascinante escutar o trotar de mais de duas toneladas que fazia o solo tremer.  Só deu tempo para o clique e o jipe partir.  Mas nada como uma foto cara a cara, quase sentido a ponta afiada de seu chifre!


Reserva Kapama, África do Sul, 2001.  Foto T.Abritta.