Das Gerais, a Terceira Margem do Rio (*) conhecemos. O que falar da última margem de uma praia
ancestral?
Estas indagações foram respondidas
pelo texto e ensaio fotográfico apresentado por Marilene Teixeira, Designer de
Interiores e Paisagista, moradora de Ouro Branco, MG, mostrando detalhes das
ruínas de antiga construção (Retiro do Seminário Redentorista de Congonhas) que
aflorou no chamado Lago Soledade (V. Figuras 1 e 2) – um açude construído há
quatro décadas próximo de Ouro Branco, MG, pela Açominas, vendida posteriormente
para a Gerdau. Com a severa seca que,
em 2014, assolou o sudeste brasileiro, o nível das águas desta barragem
baixou mais de dez metros.
Neste ensaio também foram documentadas
as dificuldades para chegar a este local, bem como a presença de conchas marinhas,
provavelmente relacionada a um braço de mar que cobria esta região há 500 milhões
de anos e chegava até Januária, próximo da Bahia.
Em 1996 fotografei também o que seria
“outra margem deste lago ancestral”, com quartzitos, micas e provavelmente
conchas marinhas, brilhando nas areias que afloram nas alturas de Ibitipoca, MG. Com os movimentos da crosta terrestre ficaram
no alto das montanhas, como provavelmente no alto da Serra de Ouro Branco. (V.
Figura 3).
O Lago Soledade fica
administrativamente no distrito Miguel Burnier, Ouro Preto, mas geograficamente
em frente à Serra de Ouro Branco e próximo à esta cidade. Esta serra marca o início da cadeia do
Espinhaço, região devastada pela extração de ferro.
Ensaios fotográficos como este nos
encantam, pois mostram a riqueza da Natureza e suas possibilidades,
oferecendo-nos uma viagem no espaço-tempo através de milhões de anos,
levando-nos à última margem do litoral do Mar
das Minas Gerais.
Estas emoções foram bem traduzidas
pelas palavras impressionistas de Marilene:
O
passado agora refletido por um problema do presente que nem saberemos como será
no futuro.
Figura
1 – Ruínas que afloram no Lago Soledade, Ouro Branco, MG.
Foto
Marilene Teixeira, outubro de 2014.
Figura
2 – Conchas marinhas no leito do Lago Soledade,
Ouro Branco, MG. Foto Marilene Teixeira, outubro de 2014.
Figura
3 – “Dunas” que afloram nas montanhas de Ibitipoca, MG.
Foto
T.Abritta, 1996.
Nota:
(*)
Alusão ao conto de Guimarães Rosa com este título.
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