Botswana, Foto T.Abritta, 2008

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Arcobotante


Arcobotante, Catedral de Milão. Foto T.Abritta, 2002.

Ande nas nuvens
descubra novos caminhos
sonhe flutue
ouse arrisque
ascenda aos céus.



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Tatu e a Rainha

Há oito anos...


          Viajando pelo interior do Rio Grande do Sul, parei em um simpático restaurante em Cambará do Sul onde tocava um seleto repertório de música regional gaúcha.  Uma das canções era verdadeira ode à natureza e ao tatu em particular.  E lá ia a música cantando a esperteza deste animal, dizendo: “o tatu se esconde aqui, o tatu se esconde ali” e assim por diante.  Mas ao examinar o cardápio, fiquei pasmo com a variedade de pratos de tatu que apresentava.  Pensei indignado como andava o desrespeito a fauna silvestre por estas bandas.  O garçom, já acostumado com forasteiros, vendo meu espanto se adiantou e me explicou que não vendiam carne de tatu, pois era um crime ambiental e que aqueles pratos eram na realidade de lagarto. Como?  Não é também aquele bicho, é aquela parte do boi que vocês chamam de lagarto e aqui no Rio Grande chamamos de tatu, continuou o paciente garçom já acostumado com as esquisitices dos visitantes ecológicos.  Tudo esclarecido, foi servido um belo prato de carne bovina, um macio lagarto à moda gaúcha. 
          As minhas preocupações não eram totalmente infundadas.  Pela Lei Federal no 5.197/67, a caça é proibida em todo território nacional, sendo, entretanto, liberada na unidade da federação que através de estudos científicos determine quais os animais que não estejam ameaçados de extinção e que podem ser alvos dos caçadores, a pretexto de promover o equilíbrio ecológico, desde que promovam também uma efetiva fiscalização.  Obviamente esta Lei não tem nenhum fundamento baseado nas Ciências da Natureza, já que o equilíbrio ecológico está relacionado a predadores naturais.  Infelizmente o único estado brasileiro onde a caça foi permitida sob a égide desta lei foi o Rio Grande do Sul, onde a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul (www.fzb.rs.gov.br) realiza os tais estudos científicos indicando os animais para a matança e as temporadas de caça, o que muito agrada as associações de caçadores locais, como a Associação Gaúcha de Caça e Conservação (sic).  Podemos admitir que em alguns casos, como os javalis vindos de criações paraguaias e o chamado porco monteiro, de origem incerta, que não pertencem a fauna brasileira e causam problemas no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, recebam um tratamento especial.  Mas problemas como estes devem ser administrados pelo governo federal sob a tutela do IBAMA e não delegados a um determinado Instituto Estadual.  Em tempos de preocupação com a natureza, fica aqui a sugestão para que algum parlamentar com vocação ecológica proponha modificações nesta legislação absurda.
          E a Rainha, onde entra nesta história?  Ela tem tudo a ver, pois a caça é uma importante instituição britânica para preencher a ociosidade de sua nobreza que se diverte com suas cargas de cavalaria, toques de clarins, correndo pelos campos acompanhada de dezenas de cães na perseguição de uma assustada raposa.  Os que viram o filme “A Rainha” de Stephen Frears, devem ter estranhado que para cuidar das reações de Harry e Willian, netos da Rainha Elisabeth II, com a notícia da morte de sua mãe Diana em Paris, em 31 de agosto de 1997, eles tenham sido levados a uma caçada na residência de campo de Balmoral, na Escócia, onde estava sediada a família real.  Era como se a notícia da tragédia de Diana, despedaçada em um acidente automobilístico na madrugada deste mesmo dia, fosse lavada com o sangue da caçada, mostrando às crianças que existe um valor maior, que é a realeza e o Império Britânico, que está acima das pessoas.  Afinal de contas, um bom caçador deve ser frio, calculista, muitas vezes até impiedoso e familiarizado com o sangue e a morte.  Estes requisitos são importantes na formação do caráter de futuros dirigentes britânicos, já que seu império colonial passado, sua realeza e agora no presente seus interesses econômicos pelo mundo afora sempre foram garantidos por extrema violência e sacrifício de muitas vidas humanas inocentes, tal qual os animais abatidos em caçadas.
          Um exemplo do modus operandi das forças armadas britânicas pode ser visto no Iraque.  As forças militares americanas, com mais de cento e cinqüenta mil homens, não conseguem assegurar os seus interesses, mesmo com bombardeios, mortes e destruição generalizada e, paradoxalmente, a par da sofisticação dos equipamentos militares, contrata até antigos integrantes dos esquadrões da morte salvadorenhos no seu desesperado esforço repressivo.  Enquanto isto os ingleses e a sua secular experiência de repressão colonial com uma pequena força militar de 8.000 homens, controla todo o sul do Iraque, assegurando o fornecimento de petróleo em Barsa.  Isto é fruto de um exército profissional que usa técnicas sofisticadas de violência e tortura no trato com a população civil, que é o celeiro de jovens insurgentes que lutam pela sua cultura e seu país.  As tropas britânicas agem sempre discretamente, mas quando alguma notícia de violência vaza para a imprensa, como os recentes casos de espancamentos, abusos sexuais e tortura, o Primeiro Ministro Tony Blair faz um discurso indignado e um júri militar condena os torturadores a penas simbólicas dizendo que apenas cumpriam ordens superiores de “trabalharem duro” e se excederam um pouco em suas missões patrióticas.  Este será o ambiente onde o Príncipe Harry, o filho mais novo do Príncipe Charles e da Princesa Diana, conviverá nos próximos meses, comandando no Iraque uma unidade de doze homens dos esquadrões do Household Calvary Regiment, ao qual pertence e graças a sua formação, desde as primeiras lições de caça, nada estranhará. 
          No filme “A Rainha” tem também uma cena em que Elisabeth II ao desistir de acompanhar seus netos na caçada encontra um belo alce real, que ao encará-la parece despedir-se da vida.  Logo depois ecoam tiros, para finalmente a Rainha constatar que o belo animal foi abatido por mãos plebéias.  Nesta seqüência a emoção expressada pela Rainha poderia hipoteticamente estar relacionada ao fato de que no ano de 1952, ao receber a notícia do falecimento do seu pai, Rei da Inglaterra, George VI, ela também estava envolvida com atividades de caça.  A jovem princesa da Inglaterra, então com 26 anos de idade, já estava casada há cinco anos com Philip Mountbatten, Duque de Edimbourg e passavam o tempo abatendo impiedosamente elefantes, zebras, leões e toda a rica fauna africana.  Neste ano o jovem casal praticava este reprovável “esporte” no alto das montanhas, em Aberdare, no Quênia, quando chegou um emissário vindo de Nairobi comunicando o falecimento do Rei da Inglaterra. Neste mesmo dia partiram para Londres tendo a Princesa, como filha mais velha do falecido Rei, assumido o Reino.  No caminho de volta o povo saudava a Princesa, mas na verdade não sabiam que já se tratava da Rainha da Comunidade Britânica.  Hoje as ruínas das antigas instalações de caça real, destruídas há algum tempo por um incêndio, são mantidas como um registro desta esta época de violência tendo sido estas montanhas transformadas no Parque Nacional de Aberdare, um refúgio da vida selvagem, onde foi construído o Hotel Treetops, para caçadores de imagens da vida animal usarem suas lentes do alto de suas paliçadas e aberturas, focalizando os animais que diariamente visitam um pequeno lago em sua proximidade. 
          O hotel tem uma pequena biblioteca onde são encontradas fotos, documentos, registros das caçadas e todo o histórico do período colonial nesta região.
          O governo do Quênia leva a sério a sua política ambiental, fiscalizando efetivamente seus parques e reservas com um verdadeiro exército de rangers armados de metralhadoras.  Enquanto isto aqui pelo Brasil...

“Caçador Fotográfico”, Hotel Treetops, Parque Nacional de Aberdare,
Quênia – janeiro de 2001.

Montbläat
Rio de Janeiro, 4 de abril de 2007.
Teócrito Abritta



quinta-feira, 30 de julho de 2015

Encontrando Magdalena



          A lua cheia transformava a estrada de terra em caminho prateado.  Suave brisa levantava poeira, formando espessa nuvem de pó branco, fundindo céu e lajedos de pedra sabão.  Parei o carro atraído pela beleza desta noite de inverno.  Saí caminhando, tropeçando aqui e ali, terminando em estreita trilha.  No final, pequena casa rodeada de ora-pro-nóbis (1) floridos.  Planta rara, mas que conhecia do quintal de minha avó em Belo Horizonte.  Estranhei.  Estávamos em julho e a floração deveria ter terminado lá pelo final de abril. 
          No interior da casa uma jovem lavava louças.  Acenei, mas ela parecia alheia, olhar perdido, expressão facial indefinida.  Bati na porta, que estava entreaberta, entrando.  Fiquei observando-a, de costas, lavando e polindo louças, num remelexo de quadris sob o vestido caseiro, de um tecido tão ralo que provocava o olhar.  Aproximei-me e, no que parecia um reencontro festejoso, entre panelas ruidosamente caindo, o paninho de prato que ela usava.  Lá, em bordado delicado li: Magdalena.

          Estrondos metálicos arrancaram-me daquele mundo.  Eram os carrilhões da Igreja de Nossa Senhora do Rosário – a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – chamando para a missa das seis.  Vista privilegiada da minha janela.  Quase tocava aqueles sinos vibrando ao lado.  Na mesa de cabeceira, um ramo florido de ora-pro-nóbis.  Não havia tempo para pensar.  Muito trabalho a fazer. 
          Tinha sido contratado por um escritório de artes gráficas em Tiradentes para fotografar igrejas barrocas mineiras.  As imagens ilustrariam um livro de poesias, falando não do grandioso, mas do singelo e pouco notado nesta arquitetura: a capela de Santa Quitéria em Catas Altas, e do Padre Faria em Ouro Preto; a Igrejinha de Santana, na Vila de Cocais, e outras, que muitos nunca ouviram falar, como a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ou a fachada em pedra sabão, quase em ruínas, da Igreja no povoado de Santo Antônio de Itatiaia, no caminho para Ouro Branco.

          Cedo, despedi-me de Ouro Preto.  No roteiro traçado passaria por Ouro Branco, chegando a Congonhas; daí, Prados, Bichinho e finalmente Tiradentes.
          No caminho dei carona a um falante viajante.  Contava-me histórias inacreditáveis:

          Magdalena era filha de rico e poderoso comerciante.  Teve o azar de apaixonar-se por Zé Boiadeiro.  Acabaram fugindo, acoitando-se em uma moita de ora-pro-nóbis aqui pela região.  Perseguidos, numa escura noite de eclipse lunar – noite que pode trazer sofrimentos, infortúnios e desgraças – foram encontrados.  Zé Boiadeiro acabou estraçalhado pela cachorrada dos capitães-de-mato e a infeliz, encerrada até o final de sua vida em um convento.  Apiedada, Nossa Senhora determinou que nos dias de Lua Azul, e somente nestes dias, dos amores impossíveis, teriam a oportunidade de um reencontro. 
          Ontem ninguém saiu de casa.  Dava até arrepios escutar as tristes cantorias do boiadeiro-encantado levando seu gadinho noite adentro. 

          Muitos quilômetros a rodar.  O carro corria, levantando o pó branco que lembrava a estrada do sonho.  Ontem foi trinta de julho, a segunda lua cheia deste mês.  A outra foi no dia primeiro.  Talvez venha daí esta história de Lua Azul, associada ao muito difícil ou quase impossível, já que é um evento de rara ocorrência – duas luas cheias no mesmo mês.  Estamos no ano de 1996 e a próxima Lua Azul será somente em janeiro de 1999. 

          Chegando a Tiradentes, entreguei o material.  Levei um susto.  Fui recebido por uma arquiteta que era “cuspida e escarrada” (2) a moça da noite anterior.  Não entendi nada. 


Relógio de sol talhado em pedra por Aleijadinho.
Adro da Matriz de Santo Antônio, Tiradentes, MG. Foto T.Abritta, 1996.

          Hoje, tantos anos depois, aqui estou, em Tiradentes, no adro da Matriz de Santo Antônio, admirando o relógio de sol talhado em pedra por Aleijadinho.  Último dia do ano, trinta e um de dezembro de 2009, dia de Lua Azul, das realizações de sonhos e desejos impossíveis.  Por outro lado, ameaças funestas – dia de eclipse.  Quem sabe, o funesto não será atenuado por aqui, já que esta ocultação lunar não é observada em nosso país? 
          Pensei como a expressão Blue Moon, usada em um poema de Shakespeare, chegou aos nossos dias com esta conotação.  Pensei na música (3) de mesmo nome, sendo tomado por sentimentos de solidão e melancolia.  Pensei nos mais antigos registros escritos falando em relógios solares: nas páginas da Bíblia, segundo Isaías (4), o Senhor teria feito a sombra do sol retroceder dez graus no conhecido quadrante de Acaz, em 750 a.C. 
          Fixando o olhar na escala angular gravada por Aleijadinho, há tanto tempo, com tantas dificuldades, por que não seria possível voltar, retroceder ao passado como em Acaz?
          Lentamente fui descendo pela Rua do Padre Toledo.  Esperavam-me para a festa de passagem do ano.  2010 chegava.  O tempo melhorou.  Entre as nuvens, surgiu brilhante lua cheia.  Não parecia azul.  Mas,

If they say the moon is blue, we must believe that it is true (5). 


A Título de Posfácio
          A pedido da família de meu amigo, o fotógrafo Lázaro Lokovaks, desaparecido misteriosamente no dia 31 de dezembro de 2009, em Tiradentes, Minas Gerais, escrevi e tenho o prazer de publicar este conto, baseado em suas anotações.  Nas notas havia também um belo poema em língua inglesa, que identifiquei posteriormente como sendo de Stevenson.  Pela beleza e sonoridade (como, por exemplo: versos terminando em oxítonos ou a tripla coliteração final), reproduzo abaixo esta poesia, no original (6), como um Réquiem ao saudoso Lázaro:

Under the wild and starry Sky
Dig the grave and let me lie
Glad did I live and gladly die,
And I laid me down with a will.
This be the verse you’ grave for me:
“Here he lies where he longed to be;
Home is the sailor, home from the sea,
And the hunter home from the hill”.

Notas:
1. Espécie de verdura que fica comestível após o cozimento.  Herança da Cultura dos escravos que descobriram seu valor nutritivo.  O nome vem da crença na proteção divina nos momentos de fome. 
2. Esta expressão é, provavelmente, uma corruptela de “esculpido em carrara”, usada para falar da semelhança entre duas pessoas. 
3. Escrita por Richard Rodgers e Lorenz Hart em 1934 e imortalizada pelo grupo The Marcels.     Ver link: http://www.youtube.com/watch?v=gzG7bPRZvMk

4. Livro de Isaías, capítulo 38, versículo 8.
5. Antiga expressão inglesa: se eles dizem que a lua é azul, nós devemos aceitar como verdade. 
6. Em uma tradução deste poema (o que já é discutível), sem preocupação rímica ou métrica, escreveríamos: Sob o selvagem céu estrelado / Cavem a sepultura e me deixem deitar / Vivi feliz e feliz eu morro, / E me deitei com um derradeiro desejo. / Gravem este verso por mim: / “Aqui ele fica, onde ansiava estar; / De volta o marinheiro, de volta do mar, / E o caçador de volta das montanhas”.



sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Conquista da Lua: 20 de julho de 1969.


Moon Walk.  Andy Warhol, 1987.


          “OS PRIMEIROS PASSOS”.

          “Neil Alden Armstrong, de 38 anos, ensaia seus primeiros passos no solo lunar.  É domingo, 20 de julho de 1969.  A caminhada de Armstrong é também a primeira de um homem na lua – sonho acalantado a séculos, cuja realização custou 20 bilhões de dólares.  O mundo inteiro através da televisão, assiste ao acontecimento que muitos julgavam impossível.  Uma bandeira americana é cravada no solo lunar, coberto por uma camada de fina poeira.  Desta vez, o fotógrafo não foi um homem: foi uma câmara robô de TV.”
          Trecho do noticiário da época.




terça-feira, 14 de julho de 2015

Musas Desconcertantes


Τερψιχόρη – Terpsichóra: A Musa da Dança.
Foto T.Abritta, 2007.  Teatro Municipal, Rio de Janeiro-RJ.

Saída da vitrine – manequim
ou macia – perfume de alecrim

Pintada em carmim
ou black/white riscada em nanquim

Musa radical – capital
talvez apenas venial

Photoshop no papel
ou orgânica natural – real

Quilinhos a mais / a menos
silhueta pessoal – ideal

Twiggy no varal
ou baigneuse de Renoir sentada no quintal

Barriguinha positiva / negativa
a beleza visual – bem legal

Maja Desnuda
ou apenas figura de jornal

Persona no vitral
ou calor do brilho carnal

Entre sins e nãos
sensação-emoção

Pulsão.
Perda-da-razão.



Para os que gostaram deste poema, sugiro a crônicas abaixo: 





quinta-feira, 9 de julho de 2015

Herpeton

Não rastejo diante do Poder
Opressor.
Não sou venal.

Sou  rastejante
sou Serpente
sou Ophídia.

Rastejo junto à Terra
perto da grandeza da Natureza.
Caminho sobre fungos.

Atravesso florestas de flores silvestres
habito a riqueza dos solos.
Folhas e pétalas.

Em infinitas cores de luz
no silêncio descanso
mostro caminhos a explorar.

Rumos a seguir.

Sou Serpente.
Sou Ophídia.

Serpente.  Chichén-Itzá, México. Foto T.Abritta, 2006.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tulum


Deus Chac. Foto T.Abritta, 2006. Tulum, 
Península de Yucatan, México.


Para onde foram?
Onde estão suas casas?

Enigmáticos maravilhosos Maias.

Dizem que a espanhola Sagrada Cruz
veio para salvar, libertar de deuses infernais,
para a Cristã Civilização Ocidental
triunfar.  Vieram para matar saquear.

As eternas esverdeadas águas do Caribe sabem
mas na brisa do silêncio
preferem não contar

apenas homenagear
as mudas pedras Testemunho.

O triste silencioso sorriso de Chac a olhar
e nada de chuvas ou trovões para ordenar.

Apenas gerações e gerações de iguanas
em solo sagrado a andar sobre estas pedras.

Enigmáticos maravilhosos Maias.