Botswana, Foto T.Abritta, 2008

terça-feira, 3 de maio de 2011

Assassinos da Natureza

Farsas das mudanças do Código Florestal

O novo texto da reforma do Código Florestal, apresentado pelo relator do projeto, o deputado Aldo Rebelo (PCdo B-SP), é uma farsa, na opinião do pesquisador Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Ele diz que o o texto finge que fez algumas concessões, mas está cheio de armadilhas que liberam quase tudo.
- Anistia todo desmatamento até 2008. Faz isso no inciso III do art. 3 ao inventar a “área rural consolidada”. Com esse tipo de anistia, quem vai respeitar qualquer lei florestal no futuro? - pergunta o pesquisador.
Além disso, segundo Barreto, cria brecha para desmatamentos de Área de Proteção Permanente (APP):
- Finge que manteve a APP de 30 metros em torno de rios com até 10 metros, mas autoriza o seu desmatamento. Para tanto, define a produção de alimentos como de interesse social e depois diz que pode desmatar APP em caso de interesse social - afirma.
O pesquisador ainda critica o texto, dizendo que ele autoriza a supressão de manguezais em áreas urbanas, "supostamente para ajudar os pobres", além da criação de gado em reserva legal.

Na prática as mudanças previstas para o Código Florestal ameaçam 43 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) e 42 milhões de hectares em Reservas Legais (RL) que foram desmatadas ilegalmente bem como prenunciam novas tragédias ambientais com o avanço sobre matas ciliares.




Destruição da Mata Atlântica dentro do princípio de que na miséria anda a política.
Nogueira, Petrópolis – RJ. Foto T.Abritta, 2011


PS. Lembramos que a turma da "Nova Direita" Lula-Sarney e sua marionete Dilma fingem divergir, mas estão sempre contra o Brasil. Por exemplo, votaram pela depredação ambiental os deputados do Rio de Janeiro: Anthony Garotinho (PR), Jandira Feghali (PCdoB), Jair Bolsonaro (PP), Stepan Nercessian (PPS), Rodrigo Maia (DEM), Andreia Zito (PSDB) e Eduardo Cunha (PMDB).

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Maracanã: apenas uma foto restou

Maracanã: a beleza do anel arquitetônico não existe mais.
Foto T.Abritta, 2007

Em 1976, o ditador Ernesto Geisel ordenou a demolição do Palácio Monroe, no Rio de Janeiro, sob alegação de que prejudicava a visão do Monumento aos Mortos na Segunda Guerra Mundial. Assim foi pulverizada mais um pouco da memória nacional, dentro do princípio de que Cultura é inimiga do poder. Agora a “Nova Direita” brasileira repete o mesmo, achincalhando a Cultura brasileira com a nomeação da “irmã ministra” e demolindo o Maracanã, forte símbolo da Cultura do Povo, substituída pelo besteirol televisivo de programas de auditório, sempre com aplausos para a “presidenta”, longe de qualquer espírito crítico.
Esta é a “Nova Direita” brasileira, sempre corrupta, “reformando” por um custo estimado em um bilhão de reais um estádio que poderia ser construido por R$ 650 milhões.







quarta-feira, 20 de abril de 2011

Instantâneos imperdíveis

Em muitas situações temos que aproveitar as oportunidades e pensando na “velocidade da luz”, tirar a fotografia. São momentos únicos. Como exemplo a foto abaixo, obtida no Tibet durante uma visita ao Jokhang, um dos templos mais sagrados do budismo tibetano. Ver artigo “Um brasileiro na China”.



Montanhas e sacos de dinheiro “recolhidos” como bilhete para o Nirvana chinês. Foto T.Abritta, 2007.


Depois que consegui esta foto, em uma área reservada do Jokhang, foi dado um alarme e o palácio cercado por militares que revistavam todos na saída. Felizmente o horário de visitação dos turistas terminava às dezessete horas, quando entravam os peregrinos. Escondido no telhado observava tudo e acabei saindo na confusão formada pela multidão impedida de entrar e o protesto de centenas de turistas impedidos de sair, a sua maioria formada por arrogantes novos ricos chineses.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O Chile de Neruda: Geografia Poética

Os anos 60 e 70 foram trágicos para a Democracia na América do Sul com governos legitimamente eleitos sendo substituídos por Ditaduras Militares. Em 12 de setembro de 1973 morre Salvador Allende, Presidente do Chile e com ele a esperança de mudanças. Poucos dias depois morria Pablo Neruda, o Poeta chileno que não só interpretou o seu povo e as belezas de seu país, como chegou à universalidade da poesia e das artes. Hoje felizmente o Chile volta ao cenário mundial com a consolidação da Democracia. A proposta deste ensaio é apresentar este Chile multicultural, exuberante, de uma natureza bela e assustadora e que de alguma maneira moldou o poeta Pablo Neruda, sendo uma saudação aos ventos que continuam soprando neste país, pelas imagens de seu povo, sua cultura e sua natureza que aparece nas poesias de Neruda com ares antropomórficos, de tão integrada aos homens. A natureza chilena, apesar de dura, sempre sorri para a vida nas aldeias e pequenas comunidades como Toconao, Socaire, Caspana e na infinita Patagônia e Terra do Fogo. Aqui apresentaremos algumas fotografias acompanhadas de inspiradores trechos de poesias de Pablo Neruda, mostrando não só um pouco da beleza do Chile, como da literatura de seu maior poeta, com traduções de Olga Savary.

Foto 1: Zeus - Puerto Willians - Terra do Fogo, Chile, 2006 - Captura Digital


Minha pátria chamou o marinheiro: Olhai-o na proa do século!


Se o tempo não quis mover-se nos velhos relógios cansados


ele faz do tempo uma nave e dirige este século ao oceano...


Foto 2: Moai - Ilha da Páscoa, Chile, 1999 Original em negativo colorido 35 mm


Chegamos muito longe,


muito longe para entender as órbitas de pedra,


os olhos extintos que continuam olhando,


os grandes rostos dispostos para a eternidade.


Foto 3: Moai - Ilha da Páscoa, Chile, 1999 Original em negativo colorido 35 mm


o olhar secreto da pedra,


o nariz triangular da ave ou da proa


e na estátua o prodígio de um retrato


- porque a solidão tem este rosto,


porque o espaço é esta retidão sem rincões,


e a distância é esta claridade do retângulo.


Foto 4: Pedras, Neve e Nuvens - Base Paraíso, Antarctica, 2006 Captura Digital


Alli termina todo


Y no termina:


Alli comienza todo:


Se despiden los ríos em el hielo,


el aire se há casado com la nieve,


No hay calles ni caballos


Y el único edificio


Lo construyó la piedra.



Companheiros, enterrem-me na Isla Negra,


defronte do mar que conheço, de cada área rugosa


de pedras e de ondas que meus olhos perdidos


não voltarão a ver.


...todas as chaves úmidas da terra marinha


conhecem cada estado de minha alegria,


sabem


que ali quero dormir entre as pálpebras


do mar e da terra...


Foto 5: Isla Negra, Chile, 2003 Original em negativo colorido 35 mm


Mineral e marinha é minha pátria como uma figura de proa,


talhada pelas duras mãos de deuses terríveis,


na Araucânia a selva não tem outro idioma que os trovões verdes,


o Norte lunário te oferece sua fronte de areia sedenta,


o Sul a coroa da fumaça nascendo das cicatrizes vulcânicas,


e a Patagônia caminha agachada no vento


até que as estepes da Terra do Fogo elevaram a última estrela


e ascendem com mãos imóveis o Pólo Sul no céu.


Foto 6: Cuernos del Paine - Patagonia, Chile, 2002 Original em cromo colorido 35 mm


Foto 7: Caminhantes - Deserto de Atacama, Chile, 2000 Original em cromo colorido 35 mm



Foto 8: Pastora - Caspana - Deserto de Atacama, Chile, 2000 Original em cromo colorido 35 mm



Foto 9: Lagoas de Altitude - Deserto de Atacama, Chile, 2000 Original em cromo colorido 35 mm



Foto 10 Vale da Lua - Deserto de Atacama, Chile, 2000 Original em cromo colorido 35 mm

sexta-feira, 25 de março de 2011

Lançamento Antologia Testemunho VI

A Oficina do Livro e Teócrito Abritta convidam para o lançamento da Antologia Testemunho VI em prosa e verso.
Dia: 8 de abril, a partir de 19 h.
Local: Rua Paulo Barreto nº 98, casa 28 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.


Foto T.Abritta-2010

quinta-feira, 24 de março de 2011

Carrascos da Natureza

O Corrupião

Augusto dos Anjos

Escaveirado corrupião idiota,
Olha a atmosfera livre, o amplo éter belo,
E a alga criptógama e a úsnea e o cogumelo,
Que do fundo do chão todo ano brota!

Mas a ânsia de alto voar, de à antiga rota
Voar, não tens mais! E pois, preto e amarelo,
Pões-te a assobiar, bruto, sem cerebelo
A gargalhada da ultima derrota!

A gaiola aboliu sua vontade.
Tu nunca mais verás a liberdade!...
Ah! Tu somente ainda és igual a mim.

Continua a comer teu milho alpiste.
Foi este mundo que me fez tão triste,
Foi a gaiola que te pôs assim!


Papagaios cativos no banheiro de um sórdido bar.
Santa Cruz de Cabrália, Porto Seguro, BA. Foto T. Abritta, 2009

Ler mais:
“Os Limites do Politicamente Correto.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rio-Bagdá

Hoje, 17 de março, por volta das 13 horas, o Rio foi invadido por sinistras silhuetas de helicópteros americanos de combate. Contei pelo menos seis aeronaves: uma ficou a grande altitude vigiando a Rocinha, outra garantia a interdição do espaço aéreo, enquanto quatro outras – duas com hélices duplas e outras com uma hélice evoluíam pousando no campo do Flamengo e depois sobrevoando, a baixa altitude, a cidade. O ruído no Leblon foi assustador. Que tipo de armamentos portariam? Serão armamentos nucleares? Com a palavra os amigos do poder, com aquela estória de falar grosso com os americanos. Abaixo duas fotos. Esperamos que Obama não traga nenhum acidente nuclear para nossa terrinha.