Publicado em Caderno Literário Pragmatha 83, abril de 2020, pág. 69
Botswana, Foto T.Abritta, 2008
sexta-feira, 5 de junho de 2020
domingo, 3 de maio de 2020
De quem é o sutiã?
Este
filme narra a última viagem de um solitário maquinista antes de se
aposentar. Mas, esta foi uma aventura
inusitada, descrevendo sua odisseia para encontrar a dona de um sutiã que ficou
preso no trem após passar por estreita passagem dentro de um povoado no leste
europeu, onde os trilhos eram usados como caminho, área de laser, local para
secar roupas e por aí vamos.
Podemos
dizer que o filme é a versão moderna do sapatinho da Cinderela que era
experimentado por várias mulheres.
Uma
originalidade deste filme é a ausência total de diálogos, com os personagens se
comunicando com pequenos gestos ou expressões faciais. Outro ponto marcante são as maravilhosas
paisagens do Azerbaijão e as imagens das pequenas vilas no topo das
montanhas.
Obs.
O filme pode ser visto no “Now”.
Este
filme, com o trem passando rente às casas da vila, me fez lembrar um fato
narrado pelo gerente de uma distribuidora de açúcar, que ficava em um galpão na
Ponta do Caju, no Rio de Janeiro: os sacos de açúcar chegavam de trem e depois
de descarregados ficavam estocados no galpão ou eram transferidos diretamente
para os caminhões que fariam a distribuição pelos mercados.
Mas, tinha um problema,
pois os trilhos ficavam quase que cobertos pelas construções de diversas
favelas. O trem vinha apitando, pessoas
tirando cadeiras dos trilhos, outros fechando janelas e portas.
Como
não havia recolhimento de lixo nas favelas, os moradores atiravam tudo sobre o
trem, que chegava soterrado por uma montanha de lixo. A distribuidora tinha que contratar garis e
caminhões para desenterrar os vagões e depois retirar a lona que cobria os
sacos de açúcar.
Soluções
para a desídia do poder público!
domingo, 19 de abril de 2020
Solitude
A década de 70 foi uma época de grande
repressão e violência política. Alguns jovens tentavam procurar caminhos
olhando para as filosofias orientais, indianas e dos misteriosos povos do
Himalaia. Livros como Sidarta, de Hermann Hesse e O Fio da Navalha, de Somerset
Maugham, faziam muito sucesso. O primeiro descreve, em forma de romance, a vida
de Sidarta que no fundo era a vida do próprio autor, em sua busca de credos
mais autênticos que o levaram a uma peregrinação pela Índia. O segundo romance
descreve a odisseia espiritual do jovem Larry, buscando um sentido para a vida
e para a morte, após os horrores da Segunda Guerra Mundial.
Outros jovens encontravam uma saída para
as suas buscas existenciais não no autêntico Budismo Indiano e sim no Zen
Budismo Japonês, que fez um grande sucesso no Ocidente com o livro Introdução
ao Zen-Budismo, de D.T.Suzuki, lançado em várias línguas com prefácio de
C.G.Jung. Este livro era um prato feito para aqueles que procuravam fugir da
lógica do nosso cotidiano, começando pela definição destas ideias: "O Zen
nunca explica. Somente nos oferece sugestões. Tentar explicá-lo é como tentar
prender o vento em uma caixa. No momento em que se feche a tampa, perde-se o
vento e obtém-se o ar estagnado..." Assim como hoje os jovens compram
caríssimos telefones celulares, naqueles tempos impressionavam-se apenas com
algumas citações Zen Budistas, como: "O caminho do meio está onde não há
nem meio nem dois lados. Quando estais escravizados ao mundo objetivo, tendes
um dos lados, quando estais com a mente perturbada, tendes o outro. Quando
nenhum desses lados existe, não há a parte do meio, e, portanto, aí estará o
verdadeiro caminho.
Todos diziam genial, genial e seguiam
contentes, embalados pela belíssima música de Ravi Shankar e o som das cordas
de sua sitar...
Foto "Solitude". T.Abritta, Tibet (2007).
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
Um pôr do sol sépia
Boa noite para todos, com um pôr do sol no Parque
Nacional de Samburo, norte do Quênia.
Notem que o tom sépia da imagem foi devido à saturação das cores do filme fotográfico com a intensidade luminosa, pois a foto foi feita à contra luz.
Notem que o tom sépia da imagem foi devido à saturação das cores do filme fotográfico com a intensidade luminosa, pois a foto foi feita à contra luz.
Foto T.Abritta,
janeiro de 2001.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
Amanhecendo no Parque Nacional de Samburo
Antes
de descer os degraus, prestar atenção se não tem nenhum crocodilo por perto,
pois a barraca fica a uns cinco metros de um rio. Ah, não esquecer de fechar a barraca para
evitar que os macacos levem tudo.
Esta
primeira noite foi meio assustadora, pois um leão subiu em uma árvore do outro
lado do rio, os bugios protestavam fazendo uma algazarra inimaginável e os
crocodilos, assustados, mergulhavam nas águas fazendo um barulhão. Abri a cortina, mais dava medo por não saber o
que estava ocorrendo na escuridão total.
E nós naquela barraca de lona...
Parque Nacional de Samburo, janeiro
de 2001
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
O Fotógrafo e seus Modelos
Esta
foi a minha primeira visita à África Negra – já havia visitado o Egito e
Marrocos.
Agora
visitaria a África do Sul, Quênia, Tanzânia, Zimbábue e Zâmbia.
Eu
estava muito doente, sendo diagnosticado dias antes da viagem que sofria de uma
doença autoimune (polimiosite) que enfraquecia os músculos. Assim, tomando sessenta miligramas de
cortisona por dia e muitos anti-inflamatórios, parti para o que poderia nunca
mais voltar.
Mas,
entre pioras e melhoras, sobrevivi e tive muitas alegrias como fotografar estas
simpáticas jovens Samburos no Quênia.
Os
Samburos são nômades e vivem da criação de gado.
Suas
mulheres vestem-se com grande sofisticação, mesmo no trabalho e nas tarefas de
seu cotidiano.
Foto janeiro de 2001
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Aconcágua
O Aconcágua é a maia alta
montanha da América do Sul, situada na Cordilheira dos Andes, em Mendoza,
Argentina, próximo da fronteira com o Chile.
O pico desta montanha está a uma altura de 6962 m.
Normalmente
os cumes de montanhas muito elevadas são cobertos por neves eternas, mesmo no
verão, não dependendo da latitude, como o Kilimanjaro no Quênia.
A
foto abaixo, tirada há uns dez anos, durante uma viagem para Santiago, quando o
avião parece tocar esta montanha, mostra um Aconcágua praticamente sem
neve, apresentando vários pontos da rocha negra.
Como
a neve reflete radiação solar enquanto as rochas escuras absorvem, este
processo é acelerado ano a ano, podendo ainda ser favorecido pela poluição
atmosférica.
Esta
consequência do aquecimento global pode ser atenuada pela ação humana, evitando
as queimadas em vários pontos de nosso país.
Aconcágua
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