Matterhorn, Zermatt-Suíça. Foto T.Abritta, 2013.
Eu
sou o Matterhorn.
Furo
céus a 4478 metros.
Precisão
topográfica,
tempos de GPS – tecnologia.
Mas
o que vale o progresso
se
me dispo do manto
que
vesti há tantos milhões de anos?
Joia
destes Alpes suíços.
Negra
pele negra rocha.
Agora
desnuda
absorvendo
sol primaveril
aquecendo
derretendo escorrendo perdendo
[outrora neves eternas.
Alpinistas
me abandonaram.
Choram
o degelo,
lágrimas
de alvos paredões.
Uns
dizem: causas naturais.
Mas,
e os ursos e lobos que me acompanhavam,
onde
estão?
Quem
os matou?
Hoje, apenas lamentos:
Look in my face; my name is Might-have-been;
I am also called No-more, Too-late, Farewell…
Nota:
Em itálico, intertexto de versos do poema A
Superscription de Dante Gabriel Rossetti (Olhem meu rosto; meu nome é
Aquele que Poderia Ter Sido; / chamam-me também Nunca Mais, Tarde Demais, Adeus...).























