Botswana, Foto T.Abritta, 2008

sexta-feira, 17 de julho de 2015

A Conquista da Lua: 20 de julho de 1969.


Moon Walk.  Andy Warhol, 1987.


          “OS PRIMEIROS PASSOS”.

          “Neil Alden Armstrong, de 38 anos, ensaia seus primeiros passos no solo lunar.  É domingo, 20 de julho de 1969.  A caminhada de Armstrong é também a primeira de um homem na lua – sonho acalantado a séculos, cuja realização custou 20 bilhões de dólares.  O mundo inteiro através da televisão, assiste ao acontecimento que muitos julgavam impossível.  Uma bandeira americana é cravada no solo lunar, coberto por uma camada de fina poeira.  Desta vez, o fotógrafo não foi um homem: foi uma câmara robô de TV.”
          Trecho do noticiário da época.




terça-feira, 14 de julho de 2015

Musas Desconcertantes


Τερψιχόρη – Terpsichóra: A Musa da Dança.
Foto T.Abritta, 2007.  Teatro Municipal, Rio de Janeiro-RJ.

Saída da vitrine – manequim
ou macia – perfume de alecrim

Pintada em carmim
ou black/white riscada em nanquim

Musa radical – capital
talvez apenas venial

Photoshop no papel
ou orgânica natural – real

Quilinhos a mais / a menos
silhueta pessoal – ideal

Twiggy no varal
ou baigneuse de Renoir sentada no quintal

Barriguinha positiva / negativa
a beleza visual – bem legal

Maja Desnuda
ou apenas figura de jornal

Persona no vitral
ou calor do brilho carnal

Entre sins e nãos
sensação-emoção

Pulsão.
Perda-da-razão.



Para os que gostaram deste poema, sugiro a crônicas abaixo: 





quinta-feira, 9 de julho de 2015

Herpeton

Não rastejo diante do Poder
Opressor.
Não sou venal.

Sou  rastejante
sou Serpente
sou Ophídia.

Rastejo junto à Terra
perto da grandeza da Natureza.
Caminho sobre fungos.

Atravesso florestas de flores silvestres
habito a riqueza dos solos.
Folhas e pétalas.

Em infinitas cores de luz
no silêncio descanso
mostro caminhos a explorar.

Rumos a seguir.

Sou Serpente.
Sou Ophídia.

Serpente.  Chichén-Itzá, México. Foto T.Abritta, 2006.



quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tulum


Deus Chac. Foto T.Abritta, 2006. Tulum, 
Península de Yucatan, México.


Para onde foram?
Onde estão suas casas?

Enigmáticos maravilhosos Maias.

Dizem que a espanhola Sagrada Cruz
veio para salvar, libertar de deuses infernais,
para a Cristã Civilização Ocidental
triunfar.  Vieram para matar saquear.

As eternas esverdeadas águas do Caribe sabem
mas na brisa do silêncio
preferem não contar

apenas homenagear
as mudas pedras Testemunho.

O triste silencioso sorriso de Chac a olhar
e nada de chuvas ou trovões para ordenar.

Apenas gerações e gerações de iguanas
em solo sagrado a andar sobre estas pedras.

Enigmáticos maravilhosos Maias.


quinta-feira, 2 de julho de 2015

O TREM de junho de 2015 sobre Os Meus (Seus) Papéis.


Amigo Teócrito,
Segue O TREM de junho.  Demos um toque sobre Os Meus (Seus) Papéis.

Marcos Caldeira


Caro, Marcos
Se em Minas tem "A Terceira Margem do Rio", por que não teria "A Terceira Margem do Livro"?
Assim penso lendo seus comentários sobre os "Meus (Nossos) Papéis". Obrigado por este passeio de Trem de Ferro por esta margem independente e rara, justamente no seu aniversário de dez anos de sobrevivência.
Grande Abraço para você e todo este Povo do Trem.
Teócrito Abritta


sábado, 13 de junho de 2015

Nos Domínios do Barão


         O município fluminense de Rio das Flores é uma espécie de Vale do Loire brasileiro, tal a quantidade de casarões centenários, antigas sedes de fazendas cafeeiras.  Muitos estão restaurados com esmero, onde o visitante pode imaginar a riqueza que o café produziu e a pobreza que deixou, devido à irresponsabilidade ambiental na conservação dos solos. 
          Nestas fazendas, admiramos não só os jardins de Glaziou, as pinturas do artista catalão Villaronga, como podemos também estudar a História da Ciência e Tecnologia pouco explorada pelos especialistas.  Em Rio das Flores viveu Santos Dumont na infância, onde despertou suas habilidades técnicas com observações dos sistemas hidráulicos e mecânicos usados no maquinário de beneficiamento, ensacagem e transporte dos grãos de café.  Dezenas de rodas d’água, moinhos, calhas gigantescas e dispositivos diversos. 
          Na região foi também introduzida pela primeira vez no Brasil, em 1854, a iluminação a gás – na época ainda inexistente nos palácios imperiais do Rio de Janeiro –, por Domingos Custódio Guimarães, primeiro Barão e depois Visconde do Rio Preto, que instalou um sistema de iluminação a gás na fazenda Paraíso (*).
          Aqui, maiores surpresas revelam-se quando atravessamos uma pequena ponte, entrando em Minas Gerais.  Primeiro, visitamos o vilarejo de São José das Três Ilhas.  Na única rua, casario histórico em excelente estado de conservação, emoldurando gigantesca igreja de pedra totalmente restaurada.  Depois, entramos no outrora domínio do Barão das Três Ilhas, para sermos recebidos por seu bisneto, na fazenda Boa Esperança, que continua sobrevivendo com a dignidade que merece este inigualável patrimônio. 
          A caminho para esta fazenda nos perdemos nas estradas de terra.  Como da primeira vez em que aqui estivemos, surgiu do nada, como passe de mágica, um imenso carro de boi e o condutor nos deu as informações necessárias.  Concluí que era lugar encantado, rasguei mapas e anotações, simplesmente escrevendo:

          “Minas sempre guarda mistérios que surpreendem. Para chegar aos domínios do Barão, saia da estrada principal, que a esta altura já é secundária, atravesse uma ponte, pegue a estradinha de terra e, ao encontrar um carro de boi, pergunte ao condutor, e ele lhe dará a chave da descoberta. Caso não o veja, passe outras vezes, vale à pena. Por hora, só isto posso dizer”.

          Ao chegarmos a Boa Esperança, fomos recebidos pelo proprietário, Sr. Maurício Monteiro de Barros Pinto, fazendo ele questão que entrássemos pela porta principal, que há muito não era aberta.  Passamos pela sala de recepção.  Pendurei o boné na chapeleira, como faziam os visitantes ilustres da corte, com seus chapéus e bengalas.  Subimos pequena escada.  Cada degrau, cada passo rangia nos saudando. 
Foram horas nos salões, capela, quartos e tulha.  Examinamos dezenas de objetos, livros, documentos, mapas e fotografias. 
O momento mais emocionante foi quando o Sr. Mauricio acendeu uma luminária elétrica, com duas lâmpadas centenárias, de fabricação da General Electric – o acervo da  fazenda tinha também outra sobressalente ainda não usada.  Tratava-se de lâmpadas elétricas de filamento de fita de carbono, inventadas por Thomas Edson em 1880 e industrializadas pouco tempo depois. 


Lâmpada elétrica de filamento de fita de carbono.  Fazenda Boa Esperança, 
Belmiro Braga, MG.  Foto T. Abritta, 2005.

Assim como o Visconde do Rio Preto introduziu a iluminação a gás no Brasil, o Barão das Três Ilhas foi, provavelmente, quem introduziu as lâmpadas elétricas em nosso país, já que as características dos exemplares existentes nesta fazenda mostram lâmpadas das primeiras gerações industrializadas (ver Figura). 
          Na despedida dos domínios do Barão nos foi oferecido um café imperial, com queijo de Minas, broa de milho e toda a sorte de iguarias da roça, inclusive manteiga de verdade.  A louça usada era fina porcelana inglesa, que magicamente sobrevivia, assim como toda a fazenda. 
Outro dia espero voltar, contando com as orientações e magia daquele carro de boi. 
          E aqui fica esta pequena colaboração para a nossa História, tão perdida, esquecida e chamando-nos para se exibir.

Nota: (*) Originalmente a iluminação das fazendas era feita com lampiões alimentados com óleo de mamona.  Com a novidade da iluminação a gás, tubulações eram instaladas em todos os cômodos dos casarões, ligando a central de produção às luminárias distribuídas pelas salas.  Na produção do gás eram usadas pedras de carbureto – carbeto de cálcio – que em contato com a água produzem o gás acetileno que é queimado.  Este mesmo sistema ainda é usado nas lanternas de espeleólogos.



sábado, 6 de junho de 2015

Pessoas

...são assim

se decompõem
traços formas sombras

renascem
cores amores ardores

somos assim
assim nos entendam

em confortável acolhimento
o tom do acontecer

para o silêncio das cores de Miró entender.